terça-feira, 20 de abril de 2010

O conhecimento e suas conseqüências

Ser humano, o que significa ser humano? Há uma separação entre aquilo que é humano e aquilo que é natural: o que é acrescentado à natureza pelo homem, ou seja, aquilo que é essencialmente humano, é chamado cultura. E a cultura só existe enquanto resultado de um pensamento que só aparece nos seres humanos, um pensamento que permite a abstração, a imaginação e o transitar por um mundo simbólico (Vygotsky). Através da transformação da experiência em conceito,o homem passa a ter o poder de manipular a realidade em que se insere. O resultado dessa manipulação é a cultura.
A cultura permite que o ser humano sobreviva enquanto espécie. Se observarmos o nosso corpo, veremos que não estamos adaptados a determinados ambientes na terra, e tomando como parâmetro o homem contemporâneo, ouso dizer que não há habitat para o ser humano neste planeta. Isso levaria a crer que já deveríamos ser uma espécie extinta, conhecendo a seleção natural de nosso amigo Darwin. Mas não somos, então se percebe que deve haver uma característica a qual justifique essa superação da seleção natural. Essa característica é justamente a possibilidade de transitar por um mundo simbólico, que está intrinsecamente ligado ao mundo real, e que permite a alteração desse mundo real em favor da espécie. Em termos mais práticos: um homem mora numa região de temperatura extremante baixa. Seu corpo não está adaptado para essa temperatura, entretanto, se ele fizer uso dos objetos da natureza de modo que consiga manter a temperatura de seu corpo (fazendo um casaco de pele por exemplo), ele passa a poder habitar aquele ambiente. E assim a cultura é a ferramenta que utilizamos para driblar a seleção natural (quando digo driblar, não compreenda que o ser humano não sofre seleção natural e sim que a seleção vai ocorrer em dois sentidos:o sentido tradicional, em que a espécie vai se adaptar ao ambiente e o sentido oposto, em que o homem, através dessa capacidade de abstrair, adapta o ambiente às suas necessidades).
Nesse caso, o ter curiosidade, o conhecer, o questionar são comportamentos que podem se comparar ao ato de comer por exemplo, pois é um comportamento necessário à sobrevivência da espécie, claro, numa outra dimensão.
Entretanto, esse comportamento terminou por trilhar um caminho oposto ao seu objetivo. O conhecimento que se tem hoje está adaptando o planeta não às necessidades humanas e sim às vontades. E isso leva a uma intervenção no ambiente que, em vez de facilitar a vida, termina por acabar com ela.
Esse pensamento que resulta em cultura é aquilo que faz dos homens, Homens, é o que há de mais humano. Mas eu não creio que ser humano signifique necessariamente ser suicida. Já é hora de se amadurecer e se assumir a responsabilidade dos nossos pensamentos. E é hora de submeter nossas vontades às nossas necessidades (e não de criar necessidades para suprir vontades).

De G. Vieira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário