terça-feira, 23 de março de 2010

Murmúrio e limites

A valorização de si mesmo possui um valor incalculável. Os homens admitem sua existência, e isto me parece ser um fato ridiculamente posto em questão. O que me intriga é essa coexistência com existências maiores (não me refiro necessariamente às religiões). Refiro-me a valores (por que não doutrinas?) que são os termos apassivadores de uma atmosfera completamente mascarada. A consciência (que na maioria das vezes não passa de vontades internas) de existir não é uma causa, mas um contexto que faz do homem um ser atípico, ridiculamente atípico. Andar em ambientes perigosos não causará medo, enquanto não haver o conhecimento dos riscos iminentes (Certamente a retração seria imediata), da mesma maneira que ocorrerá uma expansão das atitudes por ter consciência de um objeto que oferece desejo (Perdoem-me por usar a palavra consciência, creio que ela começou a existir para servir como justificativas erradas. A similaridade do gênero humano se expandiu pelo uso inconsciente desta consciência de vida, consciência esta medida pelas variações das vontades. A palavra em questão é “variação”, não “vontade”).

Esse termômetro, ao passo que nutriu, sempre incomodou a vaidade ligada diretamente ao domínio. Ser um elemento que influencia, e por fim domine, faz parte das virtudes adquiridas com a nova evolução. Quem não desejaria ser ativo nas decisões, ser consultado, estimado, independente da vontade externa? (O aspecto verdadeiramente cômico nisso tudo é que quem domina, quem se diz dependente, necessita de maneira desesperada por dominados. A dependência primordial muitas vezes não seria esquecida por ferir a vaidade? Mas claro, ter consciência , finalmente usada em termos corretos, desse humor burlesco e por demais repetido, já é um passo importante para a formação de um espírito livre.). Mas ao pensar em todos os homens dominando, o belo contraste, artificialmente natural, seria destruído. O poder, sendo distribuído com equidade, não seria poder. Certamente seria apenas um verbo, conjugado em todas as formas, em uma bela prova de que todos poderiam tudo. A valorização individual, estando em seu auge, declararia o declínio do homem, as vontades, não sendo contidas, não seriam vontades. Esse ar, verdadeiramente puro, é o fator corrosivo para o domínio. O que são as doutrinas senão meios para suavizar o ambiente? O gosto metálico na boca é substituído pelo sabor agridoce da culpa, eis o tempo em que vontades se tornaram vontades! O termômetro, sem as contínuas variações, finalmente poderia funcionar de maneira mais adequada, mais sensível às convulsões internas, aos delírios oriundos de imagens, objetos, desejos. As doutrinas, como regras, servem muitas vezes como um elemento tentador, em que o poder se estratifica e com novas cores aguça os olhos da inconsciente consciência.


Vogelfrei

quarta-feira, 10 de março de 2010

Verdade?

Verdade?

Disse um velho profeta: “O mundo, a cada dia mais habitado, tornou-se inabitável”. Do nascimento ao declínio precoce do pensamento ocidental, seria válida a explicação de que ficamos cegos por vermos em excesso? Ficamos surdos por ouvirmos demais? Oh, de forma alguma quero mudar essa atmosfera plúmbea repleta de sentidos, isso seria inútil. Multiplicar as direções me parece algo mais interessante. O que sem dúvida é um fato, é que somos vítimas de um processo cultural que se agrava a cada momento. Com o mínimo de contato com a sociedade (perdoem-me por esta palavra grosseira) recebemos passivamente tudo que o homem acumulou, todos os preconceitos, todas as verdades invioláveis. Bem, isso é algo conhecido de todos, explicitamente ou não (Quero dizer que até isso se tornou “hereditário”). Uma luz intensa certamente impede que olhemos para cima, e não olhamos por conseguirmos sobreviver com essa despercebida humilhação. As verdades tornaram-se causas, que se mascaram como motivos, ações! Partindo dessa involução, pergunto-lhes: devemos mesmo considerar tais verdades como causas?

É evidente, considerando a questão do tempo, que esse sistema obteve um admirável sucesso. Nesse intervalo, a busca individual pela sobrevivência se manifestou da maneira mais paradoxal possível, e naturalmente as causas foram estabelecidas como uma forma de necessidade. O que seria essa necessidade? Não seriam mais humilhações? Essa ponte, na busca de um “bem comum”, degrada-se aos poucos com grãos de areia que não admitem se sobrepor, e essa humilhação não passa despercebida. Chegamos à esfera do indivíduo e ao limite que define a vaidade da existência. Nessa síntese de um processo pensante em decadência, mas tão vivo quanto um deus pagão, pensemos em nossa situação atual, como mais uma “célula em busca da cooperação mútua”. Antes disso, andemos um pouco. Não pelos séculos afora, repletos da abstração que os tempos imemoráveis nos impõem. Peço que caminhemos pelas ruas, andemos calmamente. Faixas, placas, indicações, tudo está a nosso favor, não se preocupem. De olhos fechados, o único risco seria tropeçarmos sobre os próprios pés. Agora imaginemos algo novo para nós, pensemos no fluxo habitual das ruas, mas sem qualquer tipo sinalização. Não há muito que se dizer, certamente o movimento estaria descompassado. O ângulo de visão se tornaria pequeno para a sobrevivência. Com passos tão cuidadosos, não estaríamos aprendendo a andar novamente? A respiração muda, a percepção aumenta exponencialmente, sair de casa parece uma má idéia. Mas espere, há outras pessoas querendo caminhar também! Veja só, nunca veremos mãos tão unidas como nesse momento! Há calma, o alívio imediato se expande e se perpetua. Há uma causa para eu ter feito tudo isso. Não, espere, posso até dizer que tenho um motivo para o que eu vier a fazer. Temos atos, e tudo isso não é passível de ferir a minha essência, já que eu não posso mudar os pontos fixos que estão ao meu redor. Eu nasci com eles agregados em meu sangue, junto com o pecado primordial e a baba de Caim. Mas essa minha verdade inicial não seria apenas um efeito? Uma reação à primeira ação impetuosa do homem sobre o homem? Respostas que venceram por ser respostas. As perguntas ecoam, gritam, mas não conseguem ser expulsas. Olhar para cima causa medo, mas isso não passa de mais uma verdade, uma resposta. O escuro, como todo ponto de partida, é visto como um risco à sobrevivência. Mas imagino, com certa ingenuidade, como deve ser prazeroso descobrir uma cor e perceber de perto todas as suas nuanças.

O assunto persistirá, até que nos tornemos prismas dessa verdade obsoleta.

Vogelfrei


Alem da madrugada

Oi,

Hoje tive a audácia de escrever linhas de impacto desconhecido, mas de uma, leve e presa, certeza: a incerteza!

Não sou um escritor, nem literário, muito menos filosofo: sou apenas mais um igual a você que lê meus escritos avessos, será que assim eu me diferencio de todos? Já que todos brincam desesperadamente de serem diferentes, em uma extrema angustia de por alguma razão ou missão ou medo ou qualquer outro motivo verem que são especiais que não são apenas um numero ou ainda apenas mais um em meio a tantos! Entende o complexo que é e a tristeza do não ser e isso o torna capaz de escolher, afinal o que você escolheria ser: único ou apenas mais um? Essa sua escolha é previsível e compreensível, pois o medo do nada é a certeza do tudo!

Um dia me falaram que existem peixes que podem voar, fiquei abismado com essa idéia: se o sonho humano é voar, então quem sabe se o sonho dos pássaros não seja nadar livremente pela infinitude dos oceanos? E se uma simples espécie de peixe pode voar e nadar, quem me garante que o sonho deste não é andar pela Terra? “Você não pode ser o que quiser, pode desejar ser, mas eu prefiro fica perto dos pássaros do que viver a sonhar que um dia poderei voar como eles!”

Caro amigo que segui minhas linhas num esforço imenso para decodificar meu subjetivo, meus pensamentos digo-lhe com certeza que eis admirável! E, por favor, continue e terás uma ajuda agora... Mudando de assunto.

O que pretende ao ler essas linhas? Por que ainda tenta entender-me e tirar algo disso? Tudo tem um motivo, tudo tem uma razão, todos têm medo! Não quero mudar, mas reinventar; não quero criar, quero destruir; não quero a paz mundial, apenas tomar meu café e não ver no jornal minha morte anunciada!

Peço que me desculpem pelos meus devaneios e caso se minhas loucuras e insanidades de algum modo lhe afetaram meu trabalho aqui foi cumprido com êxito e me orgulho de você leitor! Hoje sei que não mudei em nada o conhecimento nem o pensamento, mas durmirei feliz por terdes lido minhas palavras e creio que o meu grande sonho é sua compreensão!

Aos leitores, atenciosamente Ying.

Inicio

Toda historia tem o seu inicio, esse, de fato, não é o nosso começo, mas a continuidade de algo que já fez parte do real.
Algumas pessoas me perguntaram o fundamento, a razão desse blog e eu vos digo com firmeza que é uma desconstrução do que todos dizem ser certo ou perfeito! Somos um grupo que trás um âmbito de mudança, de revolução, de expressar suas opiniões e escutar criticas, elogios: "
Não quero mudar, mas reinventar; não quero criar, quero destruir; não quero a paz mundial, apenas tomar meu café e não ver no jornal minha morte anunciada!","Nessa síntese de um processo pensante em decadência, mas tão vivo quanto um deus pagão, pensemos em nossa situação atual, como mais uma “célula em busca da cooperação mútua”. Antes disso, andemos um pouco."

Somos de fato algo incomum, improvável, inexplicáveis, somos de fato e ação, não apenas palavras ao vento, esquecidas na memória virtual ...
Essas poucas palavras nunca expressariam o sentimento e a mensagem que queremos passar, mas tentamos um começo e esperamos suas leituras e criticas e aceitação ou negação: esperamos vocês!

P.S.:Para maiores contatos, faça um comentario no texto do seu autor preferido ou afinco e nós os manteremos em comunicação, obrigado!

Truismo-Sophia