terça-feira, 20 de abril de 2010
O conhecimento e suas conseqüências
A cultura permite que o ser humano sobreviva enquanto espécie. Se observarmos o nosso corpo, veremos que não estamos adaptados a determinados ambientes na terra, e tomando como parâmetro o homem contemporâneo, ouso dizer que não há habitat para o ser humano neste planeta. Isso levaria a crer que já deveríamos ser uma espécie extinta, conhecendo a seleção natural de nosso amigo Darwin. Mas não somos, então se percebe que deve haver uma característica a qual justifique essa superação da seleção natural. Essa característica é justamente a possibilidade de transitar por um mundo simbólico, que está intrinsecamente ligado ao mundo real, e que permite a alteração desse mundo real em favor da espécie. Em termos mais práticos: um homem mora numa região de temperatura extremante baixa. Seu corpo não está adaptado para essa temperatura, entretanto, se ele fizer uso dos objetos da natureza de modo que consiga manter a temperatura de seu corpo (fazendo um casaco de pele por exemplo), ele passa a poder habitar aquele ambiente. E assim a cultura é a ferramenta que utilizamos para driblar a seleção natural (quando digo driblar, não compreenda que o ser humano não sofre seleção natural e sim que a seleção vai ocorrer em dois sentidos:o sentido tradicional, em que a espécie vai se adaptar ao ambiente e o sentido oposto, em que o homem, através dessa capacidade de abstrair, adapta o ambiente às suas necessidades).
Nesse caso, o ter curiosidade, o conhecer, o questionar são comportamentos que podem se comparar ao ato de comer por exemplo, pois é um comportamento necessário à sobrevivência da espécie, claro, numa outra dimensão.
Entretanto, esse comportamento terminou por trilhar um caminho oposto ao seu objetivo. O conhecimento que se tem hoje está adaptando o planeta não às necessidades humanas e sim às vontades. E isso leva a uma intervenção no ambiente que, em vez de facilitar a vida, termina por acabar com ela.
Esse pensamento que resulta em cultura é aquilo que faz dos homens, Homens, é o que há de mais humano. Mas eu não creio que ser humano signifique necessariamente ser suicida. Já é hora de se amadurecer e se assumir a responsabilidade dos nossos pensamentos. E é hora de submeter nossas vontades às nossas necessidades (e não de criar necessidades para suprir vontades).
De G. Vieira.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Sussuros aos mudos
Hoje escutei um cara dizer que sonhou com um futuro melhor, que todos seriam livres, mas à bala sepulcrou os sonhos em sua cova nefasta! Nada mais passa de uma luta incessante para buscar um final feliz, um fim que todos sejam eternos e com seus amores em um jardim utopicamente espetacular e que a paz reine para todos, deixe-me dizer-lhes umas coisas: o Homem é egoísta de mais pra sermos todos felizes e exatamente pelo mesmo egoísmo nunca haverá paz, NUNCA, o jardim é de rosas recheadas de espinhos fatais e o eterno passa por você todos os dias: o hoje!
Queria que apenas percebesse a dimensão do abismo que penetras a cada dia: ter que ser alguém, crescer e ganhar, viver pra vencer, mas por quê? Eis tão estúpido ao ponto de pensar que tudo se resume ao dinheiro, um papel feito para facilita a circulação e medida de riqueza, pra mim uma outra forma de escravismo: busca incessantemente esse dinheiro, busca nele uma felicidade e uma, mesmo que mínima, melhoria de vida e esqueces que eis humano, que tens erros e falhas, esqueces que eis uma maquina imperfeita!
De fato você não mudaria em nada se eu lhe disser que você vende a sua vida por um ou dois, sei lá quantos, salários mínimos. Não mudaria e me diria que sou louco ou utópico, mas veja quantas horas trabalha, quantas horas dorme e faz sua rotina diária de necessidades e perceba quanto tempo resta para aproveitar seu maldito dinheiro suado, creio que não restará muito, não é mesmo, que pena pra você! (hehe!)
Isso tudo é muito óbvio pra vocês, é claro, mas o que eu quero dizer é que toda essa merda traz um sentimento de competitividade, de individualidade, de egoísmo que faz do homem um animal “canibal”! Assim, em minha visão, a paz nunca virá, o mundo vai continuar os homens morreram com o seu egoísmo entalado na garganta, olharemos para trás e diremos: ”Porque não fomos diferentes, porque não pensamos que tudo isso não vale pra nada, por quê?”. O trabalho, em si, não escraviza ninguém, mas sua ideia atual o transforma em uma arma e as balas são os salários, a necessidade e os patrões e donos, mesmo sem querer, são o assassino; então empunham suas armas e atirem em suas próprias cabeças, pois quando os Homens virarem Homens de verdade a bala sairá estourando seus miolos pela Terra e sujará as fardas que também me envergonha, mas isso é pra outro texto! Por fim e pra vocês enfim, as ultimas palavras são: “prefiro morrer em pé a viver ajoelhado!” de Ernesto Che Guevara!
Ying, até a próxima! Pensem e vivam!
terça-feira, 23 de março de 2010
Murmúrio e limites
Esse termômetro, ao passo que nutriu, sempre incomodou a vaidade ligada diretamente ao domínio. Ser um elemento que influencia, e por fim domine, faz parte das virtudes adquiridas com a nova evolução. Quem não desejaria ser ativo nas decisões, ser consultado, estimado, independente da vontade externa? (O aspecto verdadeiramente cômico nisso tudo é que quem domina, quem se diz dependente, necessita de maneira desesperada por dominados. A dependência primordial muitas vezes não seria esquecida por ferir a vaidade? Mas claro, ter consciência , finalmente usada em termos corretos, desse humor burlesco e por demais repetido, já é um passo importante para a formação de um espírito livre.). Mas ao pensar em todos os homens dominando, o belo contraste, artificialmente natural, seria destruído. O poder, sendo distribuído com equidade, não seria poder. Certamente seria apenas um verbo, conjugado em todas as formas, em uma bela prova de que todos poderiam tudo. A valorização individual, estando em seu auge, declararia o declínio do homem, as vontades, não sendo contidas, não seriam vontades. Esse ar, verdadeiramente puro, é o fator corrosivo para o domínio. O que são as doutrinas senão meios para suavizar o ambiente? O gosto metálico na boca é substituído pelo sabor agridoce da culpa, eis o tempo em que vontades se tornaram vontades! O termômetro, sem as contínuas variações, finalmente poderia funcionar de maneira mais adequada, mais sensível às convulsões internas, aos delírios oriundos de imagens, objetos, desejos. As doutrinas, como regras, servem muitas vezes como um elemento tentador, em que o poder se estratifica e com novas cores aguça os olhos da inconsciente consciência.
Vogelfrei
quarta-feira, 10 de março de 2010
Verdade?
Verdade?
Disse um velho profeta: “O mundo, a cada dia mais habitado, tornou-se inabitável”. Do nascimento ao declínio precoce do pensamento ocidental, seria válida a explicação de que ficamos cegos por vermos em excesso? Ficamos surdos por ouvirmos demais? Oh, de forma alguma quero mudar essa atmosfera plúmbea repleta de sentidos, isso seria inútil. Multiplicar as direções me parece algo mais interessante. O que sem dúvida é um fato, é que somos vítimas de um processo cultural que se agrava a cada momento. Com o mínimo de contato com a sociedade (perdoem-me por esta palavra grosseira) recebemos passivamente tudo que o homem acumulou, todos os preconceitos, todas as verdades invioláveis. Bem, isso é algo conhecido de todos, explicitamente ou não (Quero dizer que até isso se tornou “hereditário”). Uma luz intensa certamente impede que olhemos para cima, e não olhamos por conseguirmos sobreviver com essa despercebida humilhação. As verdades tornaram-se causas, que se mascaram como motivos, ações! Partindo dessa involução, pergunto-lhes: devemos mesmo considerar tais verdades como causas?
É evidente, considerando a questão do tempo, que esse sistema obteve um admirável sucesso. Nesse intervalo, a busca individual pela sobrevivência se manifestou da maneira mais paradoxal possível, e naturalmente as causas foram estabelecidas como uma forma de necessidade. O que seria essa necessidade? Não seriam mais humilhações? Essa ponte, na busca de um “bem comum”, degrada-se aos poucos com grãos de areia que não admitem se sobrepor, e essa humilhação não passa despercebida. Chegamos à esfera do indivíduo e ao limite que define a vaidade da existência. Nessa síntese de um processo pensante em decadência, mas tão vivo quanto um deus pagão, pensemos em nossa situação atual, como mais uma “célula em busca da cooperação mútua”. Antes disso, andemos um pouco. Não pelos séculos afora, repletos da abstração que os tempos imemoráveis nos impõem. Peço que caminhemos pelas ruas, andemos calmamente. Faixas, placas, indicações, tudo está a nosso favor, não se preocupem. De olhos fechados, o único risco seria tropeçarmos sobre os próprios pés. Agora imaginemos algo novo para nós, pensemos no fluxo habitual das ruas, mas sem qualquer tipo sinalização. Não há muito que se dizer, certamente o movimento estaria descompassado. O ângulo de visão se tornaria pequeno para a sobrevivência. Com passos tão cuidadosos, não estaríamos aprendendo a andar novamente? A respiração muda, a percepção aumenta exponencialmente, sair de casa parece uma má idéia. Mas espere, há outras pessoas querendo caminhar também! Veja só, nunca veremos mãos tão unidas como nesse momento! Há calma, o alívio imediato se expande e se perpetua. Há uma causa para eu ter feito tudo isso. Não, espere, posso até dizer que tenho um motivo para o que eu vier a fazer. Temos atos, e tudo isso não é passível de ferir a minha essência, já que eu não posso mudar os pontos fixos que estão ao meu redor. Eu nasci com eles agregados em meu sangue, junto com o pecado primordial e a baba de Caim. Mas essa minha verdade inicial não seria apenas um efeito? Uma reação à primeira ação impetuosa do homem sobre o homem? Respostas que venceram por ser respostas. As perguntas ecoam, gritam, mas não conseguem ser expulsas. Olhar para cima causa medo, mas isso não passa de mais uma verdade, uma resposta. O escuro, como todo ponto de partida, é visto como um risco à sobrevivência. Mas imagino, com certa ingenuidade, como deve ser prazeroso descobrir uma cor e perceber de perto todas as suas nuanças.
O assunto persistirá, até que nos tornemos prismas dessa verdade obsoleta.
Vogelfrei
Alem da madrugada
Oi,
Hoje tive a audácia de escrever linhas de impacto desconhecido, mas de uma, leve e presa, certeza: a incerteza!
Não sou um escritor, nem literário, muito menos filosofo: sou apenas mais um igual a você que lê meus escritos avessos, será que assim eu me diferencio de todos? Já que todos brincam desesperadamente de serem diferentes, em uma extrema angustia de por alguma razão ou missão ou medo ou qualquer outro motivo verem que são especiais que não são apenas um numero ou ainda apenas mais um em meio a tantos! Entende o complexo que é e a tristeza do não ser e isso o torna capaz de escolher, afinal o que você escolheria ser: único ou apenas mais um? Essa sua escolha é previsível e compreensível, pois o medo do nada é a certeza do tudo!
Um dia me falaram que existem peixes que podem voar, fiquei abismado com essa idéia: se o sonho humano é voar, então quem sabe se o sonho dos pássaros não seja nadar livremente pela infinitude dos oceanos? E se uma simples espécie de peixe pode voar e nadar, quem me garante que o sonho deste não é andar pela Terra? “Você não pode ser o que quiser, pode desejar ser, mas eu prefiro fica perto dos pássaros do que viver a sonhar que um dia poderei voar como eles!”
Caro amigo que segui minhas linhas num esforço imenso para decodificar meu subjetivo, meus pensamentos digo-lhe com certeza que eis admirável! E, por favor, continue e terás uma ajuda agora... Mudando de assunto.
O que pretende ao ler essas linhas? Por que ainda tenta entender-me e tirar algo disso? Tudo tem um motivo, tudo tem uma razão, todos têm medo! Não quero mudar, mas reinventar; não quero criar, quero destruir; não quero a paz mundial, apenas tomar meu café e não ver no jornal minha morte anunciada!
Peço que me desculpem pelos meus devaneios e caso se minhas loucuras e insanidades de algum modo lhe afetaram meu trabalho aqui foi cumprido com êxito e me orgulho de você leitor! Hoje sei que não mudei em nada o conhecimento nem o pensamento, mas durmirei feliz por terdes lido minhas palavras e creio que o meu grande sonho é sua compreensão!
Aos leitores, atenciosamente Ying.Inicio
Algumas pessoas me perguntaram o fundamento, a razão desse blog e eu vos digo com firmeza que é uma desconstrução do que todos dizem ser certo ou perfeito! Somos um grupo que trás um âmbito de mudança, de revolução, de expressar suas opiniões e escutar criticas, elogios: "Não quero mudar, mas reinventar; não quero criar, quero destruir; não quero a paz mundial, apenas tomar meu café e não ver no jornal minha morte anunciada!","Nessa síntese de um processo pensante em decadência, mas tão vivo quanto um deus pagão, pensemos em nossa situação atual, como mais uma “célula em busca da cooperação mútua”. Antes disso, andemos um pouco."
Somos de fato algo incomum, improvável, inexplicáveis, somos de fato e ação, não apenas palavras ao vento, esquecidas na memória virtual ...
Essas poucas palavras nunca expressariam o sentimento e a mensagem que queremos passar, mas tentamos um começo e esperamos suas leituras e criticas e aceitação ou negação: esperamos vocês!
P.S.:Para maiores contatos, faça um comentario no texto do seu autor preferido ou afinco e nós os manteremos em comunicação, obrigado!
Truismo-Sophia